5 motivos para utilizar dois pares de luvas durante cirurgias


A biossegurança do profissional e paciente devem sempre estar em primeiro lugar na lista dos afazeres do dia-a-dia do cirurgião-dentista. Mas, como sabemos, na prática, a teoria é outra. É importante que o CD se proteja, pois nem sempre sabemos quais doenças infectocontagiosas nossos pacientes podem ter escondidas em seu sangue. 

Por isso, segundo alguns autores, é essencial o uso de duas luvas cirúrgicas durante um procedimento invasivo, e mostraremos aqui cinco motivos para que esse tipo de conduta seja aplicada e sua proteção aumente consideravelmente.

Os motivos:

  1. Usar duas luvas cirúrgicas reduz significativamente o risco de infecção à equipe da sala de cirurgia.2 A segunda luva ajuda a proteger contra agentes patogênicos quando a luva externa é perfurada.3

  1. Para um custo relativamente baixo, o uso de dois pares de luvas ajuda a fornecer um nível elevado de proteção. A luva interna reduz a exposição ao sangue do paciente em 87% quando a luva externa é perfurada.4

  1. O uso de dois pares de luvas é recomendado para cirurgias invasivas pelo CDC5, OSHA6, AORN7, ACS8, AAOS9, ICS10 e WHO.11

  1. Luvas internas coloridas podem ajudar a melhorar a segurança no trabalho. Pesquisas mostram que a maioria dos furos é minúscula e identificada apenas após a cirurgia, não no momento do incidente.12

  1. Luvas internas coloridas aumentam a visibilidade quanto a perfurações nas luvas externas sintéticas de 12% a 56%, e reduzem o tempo de conscientização de 67 segundos a 42 segundos.13

As referências:
77% das perfurações pode ser detectada com um indicador sob as luvas, em comparação com apenas 21% no uso padrão de dois pares de luvas, e menos ainda com a técnica de luva única. Walijee J, Malay S, Chung K. Sharps Injuries: The Risks and Relevance to Plastic Surgeons. (Ferimento causado por material cortante: Os Riscos e Relevância para Cirurgiões Plásticos.) Plast. Reconstr. Surg. 131: 784, 2013.
Tanner J, Parkinson H. Double gloving to reduce surgical cross-infection. (Uso de dois pares de luvas para redução de infecção cruzada cirúrgica). Cochrane Database Syst Rev. 19 de julho de 2006 (3):CD003087
O A Arowolo et al. Safety of the surgeon: Double-Gloving during surgical procedures (Segurança do cirurgião: Uso de dois pares de luvas durante procedimentos cirúrgicos.) SAJHIVMED Dezembro de 2014, Vol. 15, N° 4.
Berguer R, Heller PJ. Preventing sharps injuries in the operating room. (Prevenção de acidentes com perfurocortantes na sala de cirurgia). Journal of the American College of Surgeons. 2004;199(3):462-467.
Centers for Disease Control and Prevention (Centros de Controle e Prevenção de Doenças). Guideline for prevention of surgical site infection, 1999 (Guia para prevenção de infecção em Sala de Operação, 1999). Infection Control and Hospital Epidemiology (Controle de Infecção e Epidemiologia Hospitalar), abril de 1999, 20(4): 247-278. http://www.cdc.gov/hicpac/pdf/ssiguidelines.pdf. Acessado em novembro 2015.
Manual Técnico OSHA Seção VI: Capítulo 1. Hospital Investigations: Health Hazards (Investigações Hospitalares: Riscos à Saúde). Disponível em https://www.osha.gov/dts/osta/otm/otm_vi/otm_vi_1.html. Acessado em novembro 2015.
AORN Guideline for Sterile Technique from 2015 Guidelines for Perioperative Practice (Guia AORN para técnica estéril a partir das Diretrizes para a Prática Perioperatória de 2015).
Statement on Sharps Safety (Declaração sobre Segurança em Materiais Cortantes). American College of Surgeons. Outubro de 2007. https://www.facs.org/about-acs/statements/58-sharps-safety. Acessado em novembro de 2015.
“Information Statement 1018: Preventing the Transmission of Bloodborne Pathogens”(“Informativo 1018: Prevenção de Transmissão de Agentes Patogênicos Transmitidos pelo Sangue”). American Academy of Orthopaedic Surgeons. http://www.aaos.org/news/aaosnow/oct13/clinical5.asp. Acessado em novembro de 2015.
10 Leading the way in best Practice (Na vanguarda da melhor prática). International College of Surgeons. Disponível em: https://www.icsglobal.org/members/sections/mem_sect_news_europe.asp. Acessado em novembro de 2015.
11 Glove Use Information Leaflet (Folheto Informativo Sobre Uso da Luva). Organização Mundial da Saúde. Agosto de 2009. Disponível em: http://www.who.int/gpsc/5may/Glove_Use_Information_Leaflet.pdf. Acessado em novembro de 2015.
12 Thomas-Copeland, Do Surgical Personnel Really Need to Double-Glove? (A Equipe Cirúrgica Realmente Precisa de Dois Pares de Luvas?) AORN Journal, fevereiro de 2009, Vol. 89, No. 2; página 327.
13 Florman S, Burgdof M, Finigan K, Slakey D, Hewitt R, Nichols RL. Efficacy of double gloving with an intrinsic indicator system (A eficácia do uso de dois pares de luvascom um sistema de indicadores intrínseco). Surg Infect (Larchmt). 2005;6(4):385-395.
14 Dados sobre arquivo com a Cardinal Health. Estudo da California Skin Research Institute, Projeto Número 03-118.
15 Em comparação com a Cardinal Health™ Luvas Cirúrgicas Protexis® PI.
16 Dados de vendas no arquivo com a Cardinal Health de 2013 a 2015.
Fonte:  NasceCME

Sobre Victor Hugo Rebouças e Daniella Allende:

Acadêmicos do curso de odontologia da Universidade Potiguar, em Natal/RN. 🔸 Victor é o fundador e presidente da Liga Acadêmica de Odontologia Estética do Rio Grande do Norte e possui experiência em marketing voltado para a odontologia e redes sociais. É o autor-responsável do site O Dentista Acadêmico. 🔸 Daniella é aluna do último período da faculdade e conta com experiência em divulgação odontológica em mídias sociais. É sócio-autora do site O Dentista Acadêmico.